Há muita vida no Esperança

Fotos Paulo Pires | Diário de Canoas
Onda há vida, há esperança. A esperança é a última que morre. Jargões conhecidos e que combinam com o Esperança Futebol Clube, um dos mais tradicionais de Nova Santa Rita. Fundado em 11 de agosto de 1932, a entidade que recém completou 85 anos prepara uma reestruturação da sede social e do futebol.

Multicampeão na década de 60, o Esperança pretende voltar ao cenário futebolístico e mira o Municipal do ano que vem. Empresário e morador do bairro Berto Círio, o berço do clube, Carlos Cichelero tomou a frente do projeto. “Hoje o clube não tem uma diretoria. São nove sócios remidos que deverão formar uma comissão”, comenta.

Entre as ações previstas por Cichelero estão a reforma da sede social e melhorias no campo de futebol que, apesar da inatividade do clube, recebe muitos eventos. “No feriado de 7 de setembro isso ficou lotado com um Gre-Nal de amigos”.


SEU TONHO E O TIMAÇO DOS ANOS 60
O Esperança conquistou o Municipal Amador de Canoas em 1964 e 1966. Em 1965, ficou em segundo lugar. Antônio Viana, o Seu Tonho, era lateral-direito daquele time memorável. “Em 1967 perdemos alguns jogadores e o nível caiu”, lembra o vizinho do clube, aos 76 anos. “Sempre morei aqui na rua. Antes, em frente ao Esperança. E, desde que casei, ao lado”, conta. E as histórias são muitas. A mais marcante, sobre a decisão de 1964. “Decidimos aqui, contra o Frigosul. O empate favorecia eles. Fizemos o segundo gol aos 36 minutos do segundo tempo e a torcida deles invadiu o campo e quebrou o maxilar do árbitro. O jogo foi interrompido. A Liga, então, decidiu que os nove minutos restantes seriam no outro domingo. E aconteceram, mas ninguém marcou e levantamos a taça”, lembra.

SEDE, ORGULHO DO SEU MIRO
A primeira sede do Esperança Futebol Clube ficava ao lado da atual. Mais modesta, era feita de madeira e muito menor. Quem conta esta parte da história é Almiro Resende, o Seu Miro, 87 anos. Ele foi o presidente da Comissão de Obras da sede inaugurada em 1982 (foto acima). “Tivemos ajuda de algumas pessoas da comunidade, que doavam tijolos e materiais de construção”, reitera Miro. Ele lembra que o trabalho era feito em duplas, por pessoas da comunidade. “A cada dia, duas pessoas vinham trabalhar o dia todo na obra. No dia seguinte, outras duas e assim por diante”, completa. Seu Miro era amigo de Paulo Szekir, fundador do clube, em 1932. Ele chegou logo em seguida. “Participo das coisas do Esperança desde os meus 10 anos de idade”, encerra.

LUIZ CARLOS CONTA TUDO O QUE JÁ VIU
Outro sócio remido que tem muita história para contar no Esperança é Luiz Carlos Oliveira (foto), 70. Ele é um dos apaixonados pelo clube que está engajado na série de melhorias prometidas para o ano que vem. “Estamos reativando aos poucos. Nos finais de semana, alugamos a sede social para festas de aniversários, nada muito grandioso. Já entramos em contato com um pessoal para reativar as escolinhas e pretendemos jogar o Municipal de 2018”, destaca. Uma curiosidade lembrada por Oliveira é que o Esperança já pertenceu a três municípios. “Quando surgiu, o hoje bairro Berto Círio era o 6º Distrito de São Sebastião do Caí. Depois, com a fundação de Canoas, em 1939, passamos a ser de Canoas. E, em 1992, com a emancipação, nos tornamos um clube de Nova Santa Rita”, completa.

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