Meninas disputam vaga na Seleção Brasileira

PENEIRA: muitos sonhos na ponta das chuteiras de dezenas de jovens
MORENO CARVALHO

Canoas - No lugar do salto alto, maquiagem, brincos e pulseiras, chuteiras, meiões, caneleiras e um sonho: ser convocada para a Seleção Brasileira de futebol. Atrás deste objetivo, dezenas de meninas correram atrás da bola ontem, no Complexo Esportivo da Ulbra, no peneirão promovido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que está selecionando atletas por todo o País para compor as seleções femininas de base nas categorias sub-15, sub-17 e sub-20. A atividade iniciou às 13 horas e se estendeu até o final da tarde. Na torcida, pais e mães, agarrados ao alambrado, incentivando seus pupilos e ansiosos pelo resultado.

Atletas de equipes de Tapejara, Novo Hamburgo, Escolinha da Duda, de conveniada ao Grêmio, além de meninas de diversos cantos de Canoas demonstraram muita dedicação, acreditando em todas as jogadas. Conforme e treinadora da equipe universitária de futsal feminino da Ulbra, Tatiele Silveira, a maior procura foi pela categoria sub-17. “A procura foi boa, acredito que o pessoal da CBF saiu satisfeito”, comentou ela que também treina uma escolinha conveniada com o Grêmio, na Capital.

Olheiros gostaram do que viram

A seletiva contou com a presença dos avaliadores da CBF, Adilson Galdino, Emily Lima e Luiz Ribeiro. E eles se disseram surpresos com a qualidade do futebol apresentado pelas garotas. “Gostamos muito e podemos garantir que algumas meninas daqui farão parte de futuras convocações”, analisou Galdino, responsável pela avaliação da sub-20. Segundo ele, foram avaliadas características específicas para formar seleções de base. Antes de Canoas, houve peneiras no interior e na capital paulista. “Ainda vamos realizar seletivas em outras regiões do Brasil”.

Projeto à vista em Canoas

A ex-jogador de futebol feminino, Eduarda Luizelli, a Duda, acredita que o esporte tem crescido a cada ano no Brasil, embora haja escassez de competições. “Não há campeonatos de futebol de campo no Rio Grande do Sul, temos apenas a minha equipe e a da Tatiele com categorias de base”, comenta. Ela fala em falta de incentivo à modalidade e que, com ao menos mais duas equipes, poderia existir uma competição. Duda cita uma parceria com a prefeitura de Canoas que está a caminho e que, segundo ela, será um dos maiores projetos existentes, com escolinhas gratuitas.

Otimismo para ser escolhida entre tantas

Dois tempos de 20 minutos, 22 atletas em campo e a necessidade de se destacar. Tarefa nada fácil, ainda mais para uma menina tão jovem. Mesmo assim, Gabriela Buchholz, 13 anos, disse ter jogado tudo que sabe. “Entrei tranquila e focada em fazer o meu melhor, acho que me saí bem. Estou otimista”, avaliou. Ela conta que joga futebol desde os seis anos de idade e está no projeto do Grêmio, em Porto Alegre, desde o ano passado. “Meu sonho é ser uma jogadora profissional e não irei desistir até conseguir”.

Foto: PAULO PIRES/Especial 

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