A entrevista com os entrevistadores: Eduardo Gabardo

Repórter também é apresentador na Gaúcha
O segundo entrevistado é Eduardo Vieira Gabardo, repórter esportivo da Rádio Gaúcha. Nascido em 30 de setembro de 1975, em Porto Alegre, Gabardo é jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Iniciou sua trajetória no jornalismo esportivo na Rádio ABC de Campo Bom, em 1994, atuando como repórter.
Em 1995, Eduardo Gabardo foi para a Rádio e TV Bandeirantes onde permaneceu até 1998 atuando na reportagem. De 1998 até 2002, trabalhou como repórter e apresentador na Rádio e TV Guaíba. Desde 2002, Gabardo exerce as funções de repórter e apresentador na Rádio Gaúcha.

Blog do Moreno: Sendo o repórter um 'interruptor necessário' durante as jornadas, como interromper sem atrapalhar o narrador?

Eduardo Gabardo: Informações como alterações no time, detalhes do que ocorre no campo de jogo, notícias de última hora são fundamentais. Mas sempre é preciso esperar o momento em que a bola está fora de campo ou se ter a certeza de que nos próximos segundos nada de importante vai ocorrer. Aí sim chegou o momento de dar a informação.

BM: Quais as diferenças entre trabalhar "em casa" e "fora de casa", principalmente quanto à quantidade de repórteres nas jornadas?

Gabardo: "Nos jogos em Porto Alegre as rádios trabalham com 4 ou 5 repórteres. Fica bem mais fácil. Cada repórter cuida de determinada situação. Quando o jogo é fora, normalmente viaja só um repórter. O trabalho aumenta muito e a concentração tem que ser muito maior."

BM: No Rio Grande do Sul, os repórteres têm como uma de suas características a imparcialidade, pois em sua maioria, não revelam para qual clube torcem. Qual a importância desta não-identificação nesta função?

Gabardo: "Na nossa cultura não há clima para que tenhamos todos os profissionais de imprensa admitindo para que time torcem. Em alguns casos pode funcionar bem. Mas com todos não. O comportamento de alguns ouvintes tem sido muito agressivo. Acho perigoso. E convivendo há 16 anos com muitos colegas posso dizer. Muitos já deixaram de torcer há muito tempo. O problema é que em qualquer opinião o ouvinte acha que por trás existe uma identificação clubística. Não é assim."

BM: Repórter tem de apenas informar ou deve opinar também durante a transmissão?

Gabardo: "Acho que o repórter deve informar. No máximo informar e interpretar uma notícia. Fazer a leitura do que pode acontecer com determinada informação. Claro que em algumas situações a opinião é inevitável. Exemplo: um jogador não muito conhecido que vai entrar em uma partida. Se somente o repórter acompanha os treinamentos ele deve dar uma opinião sobre o jogador. Agora, os detalhes táticos e técnicos de um jogo são responsabilidade do comentarista."

BM: Como você avalia as respostas que são dadas pelos entrevistados nos momentos que antecedem, intermedeiam e sucedem uma partida?

Gabardo: "As respostas dadas pelos entrevistados no campo normalmente são rápidas e sem muito conteúdo. Mas também não se pode imaginar algo muito diferente. Neste momento os jogadores estão com o foco na partida, não na entrevista. Claro que aqueles mais preparados intelectualmente conseguem desenvolver idéias interessantes. E os técnicos tiram dúvidas importantes. Acho fundamental para o ouvinte poder saber na hora, atráves da entrevista no campo, detalhes do jogo. Mas como dise antes, o foco dos atletas nessa hora é o jogo, então a tendência é que esse tipo de entrevista acabe. Em jogos internacionais os repórteres de rádio já não podem ficar no campo, apenas os da emissora de tv que tem os direitos de transmissão. No futuro isso deve ocorrer também no Campeonato Brasileiro."

BM: Muitos dizem que as respostas dos jogadores de futebol são sempre as mesmas nesse tipo de entrevista. Mas as perguntas, não são sempre as mesmas? Você busca variar nas perguntas? Se sim, de que forma? É possível um diálogo entre repórter e jogador?

Gabardo: "De uma maneira geral as perguntas são as mesmas sim. A reportagem pode evoluir nesse aspecto. Mas no momento do calor do jogo também não adianta querer fazer algo muito diferente. Tem que se respeitar o momento do jogador e saber que aquela é uma hora de muita concentração. Eu procuro falar sobre a parte tática do jogo. Estas entrevistas no gramado são muito rápidas, não tem como desenvolver muito o assunto."

BM: Como você, entrevistador, se sentiu na colocação de entrevistado?

Gabardo: Me senti muito bem. Acho fundamental que o entrevistador seja organizado e educado. Esse é o primeiro passo para uma boa entrevista. Quando precisar é só avisar. Abraço a todos!

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